terça-feira, 4 de novembro de 2008

A Última Crônica

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.

Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo.

A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

Fernando Sabino

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Bid - Bambas & Biritas Vol.1 (2005)

É impressionante como ainda tenho boas surpresas ouvindo música. Essa semana tive oportunidade de conhecer o trabalho solo de estréia do produtor Eduardo Bidlovski, o popular Bid, responsável entre outras artimanhas pela produção do clássico Afrociberdelia, de Chico Science & Nação Zumbi.

Emprestam suas habilidades musicais para o disco nomes como Black Alien, Elza Soares, Carlos Dafé, Rappin Hood, Seu Jorge, Markus Ribas, entre outros. Até Chico Science deu sua contribuição com Roda Rodete Rodeano, música lançada em 2001 em um cd da revista Trip, que naquela edição trazia uma reportagem sobre a Nação Zumbi.

Fui facilmente engolido pelo refrão de Não Pára, o que me deixou na obrigação de ouvir o resto do disco. E pensem como desce fácil. Na noite se resolva (rimas pesadas de Black Alien) e Maestro do Canão (feita de Rappin Hood para Sabotage) são duas balas na cabeça. Um trio parada dura se chega. Seu Jorge, Markus Ribas e Elza Soares mandam bronca com E Depois, Fora do Horário Comercial e Mandingueira.

A instrumental Saudades da Black Rio, com Carlos Dafé, dá uma quebrada no clima leve que pairava no ar e balança as estruturas com metais nervosos. Roda Rodete Rodeano, na voz de Chico Science, dispensa comentários. E no fechamento da parada ainda nos deparamos com uma idéia inusitada. Bid separou alguns recados da secretária eletrônica da sua casa e guadou lá no fim do disco. Só é aguardar um pouco depois da última faixa que o negócio rende até umas risadas de leve.

O esquema é Classe A!

Músicas:
1. Não Pára
2. Na Noite se Resolve (Part. Black Alien & DJ Soul)
3. Maestro do Canão (Part. Rappin Hood & Funk Buia)
4. E Depois (Part. Seu Jorge)
5. Fora do Horário Comercial (Part. Marku Ribas)
6. Mandingueira (Part. Elza Soares)
7. Saudades da Black Rio (Part. Carlos Dafé)
8. Soul Survivor (Part. Dasez & Muhammad Mubashir)
9. Terra Vista (Part. CineLândia)
10. Roda Rodete Rodeano (Part. Chico Science)
11. Estou Bem Longe (Do que Me Faz Mal)

Abrace essa pérola: Bid - Bambas & Biritas Vol.1

Para quem quiser dar uma conferida, fica aí o belo clipe da música Mandingueira, com Elza Soares.

Bid e Elza Soares - Mandingueira

domingo, 19 de outubro de 2008

Infectious Organisms - Infectious Organisms (2000)

Os organismos infecciosos são um caso a parte. Seguindo a bem sucedida fórmula do jazz/rap, são capazes de contaminar cidadãos que até então se provavam imunes a qualquer tipo de ataque. Tudo leva a crer que tudo começou na cidade de Richmond, na Virgínia, onde eles se desenvolveram e disseminaram. A partir daí, nada pôde conter o avanço destes seres.

Vacinas, antibióticos e outras drogas não são as soluções mais recomendáveis para os infectados por este tipo de organismo. Os sintomas vão do balanço incontrolável ao relaxamento anestésico, em uma escala de gravidade ainda não calculada pela medicina musical universal.

A infecção tem 12 fases distintas, que variam no grau de periculosidade. Nos casos considerados mais sérios, em que o paciente é vítima de um verdadeiro bombardeio sonoro, a recomendação mais aceita na comunidade médica é a de simplesmente deixar acontecer.

Seja infectado você também!

Músicas:
1. 23rd Psalm
2. Bright Lights
3. Balance
4. Etre Amoreaux (To Be in Love)
5. However Temporary
6. Red October [Remix]
7. Interlude
8. These Monrovian Streets
9. Last Touch
10. Mahara
11. Red October
12. No Sense

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domingo, 12 de outubro de 2008

Humilde homenagem

Estou meio atrasado, mas a intenção é das melhores. Homenagear um dos maiores sambistas de todos os tempos, o glorioso Cartola, que completaria 100 anos ontem, dia 11 de outubro.

A seguir algumas músicas tocadas no programa Ensaio, gravado em 1974. Todas pertencem ao primeiro albúm de Cartola, lançado naquele ano. Para quem quiser mais, eu postei o segundo disco do senhor Angenor de Oliveira há um tempo atrás, é só seguir o link.

Paro com meus comentários por aqui. A música de Cartola vale mais a pena, vale muito mais que mil palavras.

Cartola - Alvorada



Cartola - Disfarça e Chora


Cartola - Corra e Olhe o Céu


Cartola - Tive Sim


Cartola - Sim

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Jorgen Ben - A Tábua de Esmeralda (1974)

A batida do violão de Jorge continua com seu balanço quase que inabalável. Desta vez o suingue e o canto chorado são mergulhados no universo místico da alquimia. O neguinho anuncia logo de entrada a chegada dos mais novos convidados, os alquimistas. Um breve convite ao que estar por vir.

A beleza do disco é transcendental, seja com um jardim suspenso dependurado no pescoço de um homem (O Homem da Gravata Florida), ou com a malícia de uma menina mulher (Menina Mulher da Pele Preta). O universo celeste e seus deuses astronautas brotam de Errare Humanum Est, enquanto todos aguardam a nave maternal dourada de Magnólia.

As raízes africanas de Zumbi e o grito primal de Brother deixam sua marca em um momento especial da obra. O balanço inconfundível volta na clássica Namorado da Viúva. E é com uma ponta de diamante sob uma pedra de esmeralda (Hermes Trismegisto e Sua Celeste Tábua de Esmeralda) que são escritos os últimos capítulos deste clássico de 1972.

Com vocês, toda a alquimia musical de A Tábua de Esmeralda. É mole?

Músicas:
1. Os alquimistas estão chegando
2. O homem da gravata florida
3. Errare humanun est
4. Menina mulher da pele preta
5. Eu vou torcer
6. Magnólia
7. Minha teimosia, uma arma pra te conquistar
8. Zumbi
9. Brother
10. O namorado da viúva
11. Hermes Trismegisto e sua celeste Tábua de Esmeralda
12. Cinco minutos

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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

The Budos Band - The Budos Band (2005)

Foram quase dois meses de abandono. O recinto se encontra altamente empoeirado, precisando obrigatoriamente de uma renovação, uma limpeza, o velho "upgrade" da modernidade. Para recomeçar em grande estilo, ou fora dele, nada como um pouco de balanço instrumental, embalando uma ressureição fértil depois um longo, clichêzado e tenebroso inverno.

Já ouviram falar em Afro-Soul? É o que os camaradas da Budos Band fazem, e vou contar uma coisa: o negócio é classe demais. Metais, percussão, enfim, música altamente degustante, para os ouvidos, naturalmente.

Outra parada decente é a origem do nome. A banda antes se chamava Los Barbudos, aí os caras tiveram a brilhante idéia de abreviar para "The Budos Band". A maioria pode discordar, mas a sacada foi sensacional.

A galera é afiada.
Vale a pena a aquisição!

Músicas:
1. Up From The South
2. T.I.B.W.F.
3. Budos Theme
4. Ghost Walk
5. Monkey See, Monkey Do
6. Sing A Simple Song
7. Eastbound
8. Aynotchesh Yererfu
9. King Charles
10. The Volcano Song
11. Across The Atlantic

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quarta-feira, 23 de julho de 2008

My Blueberry Nights - Soundtrack (2008)

Depois de um bom tempo sem pisar em uma sala de cinema fui ver "Um Beijo Roubado", de um tal de Wong Kar-Wai, um diretor chinês que comentam por aí ser muito bom, sempre citando um tal de "A Flor da Pele". A grande questão é que eu, do alto da minha ignorância cinematográfica não fazia a mínima idéia de quem era esse mano do nome estranho, e para falar a verdade, ainda não sei muito bem.

O que eu sei é que "Um Beijo Roubado", na verdade é "My Blueberry Nights", e isso eu descobri durante o filme mesmo. Outra descoberta boa foi que o tal do Wong Kar-Wai manda bem mesmo. As sacadas de câmera e a forma como se encaminha a película me deixaram abismado, talvez porque eu só tenha começado a observar estes detalhes há pouco tempo, ou talvez porque o cara tem talento mesmo (A segunda alternativa é mais viável).

O fato é que um dos fatores causadores do meu agrado em relação ao filme é que a trilha sonora é muito very good. Norah Jones é a primeira a dar o ar da graça, e em grande estilo, com a bela The Story, composta durante as gravações da película, enquanto o sol nascia em Nova York. Por sinal a cantora também atuou no filme, com o detalhe que ela é a protagonista, juntamente com Jude Law, seu par romântico na trama.

A cantora Cat Power, que também ataca de atriz no filme, contribui com Living Proof e The Greatest, essa última sensacional. Ainda dando tempo de sobra para clássicos como Eyes On The Prize, entoado por Mavis Staples, as românticas My Little Tenderness, de Otis Redding, e Looking Back, de Ruth Brown, além de Harvest Moon, pérola de Neil Young interpretada no albúm por Cassandra Wilson.

Para ilustrar as belas paisagens do filme, encontramos belezas instrumentais como Pajaros, do premiado argentino Gustavo Santaloalla, e Yumeji's Theme, de Chikara Tsuzuki. Isso sem contar com as três peças despejadas por Ry Cooder - Ely Nevada, Long Ride e Busride.

Belas músicas para um belo filme!

Músicas:
1. The Story - Norah Jones
2. Living Proof - Cat Power
3. Ely Nevada - Ry Cooder
4. Try a Little Tenderness - Otis Redding
5. Looking Back - Ruth Brown
6. Long Ride - Ry Cooder
7. Eyes on the Prize - Mavis Staples
8. Yumeji’s Theme - Chikara Tsuzuki
9. Skipping Stone - Amos Lee
10. Bus Ride - Ry Cooder
11. Harvest Moon - Cassandra Wilson
12. Devil’s Highway - Hello Stranger
13. Pájaros - Gustavo Santaolalla
14. The Greatest - Cat Power

Abrace essa pérola: My Blueberry Nights - Soundtrack (2008)

Sinopse:
Elizabeth (Norah Jones), uma jovem mulher desencantada, embarca numa viagem de reencontro emocional para esquecer um coração partido. À medida que as feridas emocionais começam a desaparecer, as experiências de Elizabeth com uma série de estranhos levam-na a novos e inesperados capítulos na sua vida. Dos devaneios poéticos do proprietário de um café (Jude Law), às propostas desesperadas de uma jogadora numa maré de azar (Natalie Portman), ao laço quebrado entre um policial perturbado (David Strathairn) e a sua esposa (Rachel Weisz), estes indivíduos redefinem a perspectiva de Elizabeth sobre a vida, os relacionamentos e finalmente a sua própria identidade.


My Blueberry Nights - Trailer

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Cake - Fashion Nugget (1996)

Embalado por um som que mescla country, jazz, pop, funk, e outros ingredientes em uma panelada só, apresento por aqui o segundo disco do Cake, o Fashion Nugget, de 1996. São 14 faixas que não deixam barato, e trazem a banda de Sacramento no melhor de sua forma.

Bom de recordar é o afiado trumpete de Vince DiFiore, sempre surgindo em momentos decididamente essenciais do disco. Um som de pequenos detalhes, capazes de reacender as canções e dar-lhes o sinal verde para que possam trilhar seus caminhos sem desconfiança.

Fora isso, ainda nos deparamos com a voz tranqüila do vocalista e multinstrumentista John McCrea, incapaz de se exaltar por um instante que seja. A saga de Fashion Nugget segue constante, alternando bons e grandes momentos.

Beleza de disco!

Músicas:
1. Frank Sinatra
2. The Distance
3. Friend is a Four Letter Word
4. Open Book
5. Daria
6. Race Car Ya-Yas
7. I Will Survive
8. Stickshifts and Safetybelts
9. Perhaps, Perhaps, Perhaps
10. It's Coming Down
11. Nugget
12. She'll Come Back to Me
13. Italian Leather Sofa
14. Sad Songs and Waltzes

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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Squirrel Nut Zippers

É até engraçada a sensação de surpresa e felicidade quando conheci o Squirrel Nut Zippers. Assim que ouvi os primeiros acordes de Hell, parei e pensei: Porra, que som é esse! Uma parada cheia de metais, com uma levada de jazz dançante, mas conservando o tom de música alternativa. Simplesmente sensacional.

A banda, que tem seu nome inspirado em uma antiga marca de chocolate, foi fundada em 1993 quando Jim Mathus (voz, guitarra e trombone) e Katharine Whalen (voz e banjo) encontraram Don Raleigh (baixo) e Ken Mosher (guitarra, saxofone e voz) na pequena aldeia de Efland. O time ficou completo com as entradas de Chris Phillips (bateria e percussão), Tom Maxwell (voz, guitarra, saxofone barítono e clarinete) e Je WidenHouse (trompete).

As músicas que deixo aqui são do disco Hot, de 1997, que por sinal, é uma beleza.

Squirrel Nut Zippers Hell

Squirrel Nut Zippers - Put A Lid On It

terça-feira, 1 de julho de 2008

Seu Jorge - America Brasil (2007)

Para confessar é o primeiro disco do Seu Jorge que eu posso dizer com convicção que ouvi. Já tinha escutado outras coisas do cara, mas só por alto, uma música aqui, outra lá, e por aí vai. A constatação que ficou depois da primeira audição de America Brasil foi sem dúvidas a melhor possível. É o tal negócio, você vai ouvir o som esperando uma coisa e quando você vê, a parada supera facilmente suas expectativas.

America Brasil é um disco de samba, para quem gosta de balançar, som dos melhores para se tocar na praia, naquele churrasco, naquela roda de samba, ou em uma humilde mesa de bar. São onze músicas carregadas de suingue e cheias de balanço. A melodia chega inteira nos ouvidos, levada pela harmonia perfeita entre a voz de Jorge e o cavaquinho, o pandeiro, a cuíca, e até o violino.

Tremenda maravilha!

Músicas:
1. América do Norte
2. Trabalhador
3. Burguesinha
4. Cuidar de Mim
5. Mina do Condomínio
6. Mariana
7. Só no Chat
8. Samba Rock
9. Seu Olhar
10. Eterna Busca
11. Voz da Massa

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sábado, 7 de junho de 2008

Nelson Sargento – Sonho de um Sambista (1979)

Com 12 anos de idade, Nelson Mattos se mudou do Morro do Salgueiro para o Morro da Mangueira, onde foi contemporâneo de sambistas como Cartola, Nelson do Cavaquinho e Carlos Cachaça. O apelido de Sargento veio graças à mais alta patente que Nelson alcançou quando estava no exército.

Sargento participou em 1965, convidado por Hermínio Bello de Carvalho, do espetáculo "Rosa de Ouro", onde cantou ao lado de Elton Medeiros, Clementina de Jesus, Araci Cortes e Paulinho da Viola, entre outros. Na mesma década integrou com Paulinho da Viola, Zé Kéti, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, José da Cruz e Anescarzinho, o conjunto A Voz do Morro.

Lançado em 1979, Sonho de um Sambista é um disco que dispensa comentários. A aquisição é obrigatória para quem gosta de samba.

Para quem quiser conhecer um pouco mais do genial Nelson Sargento, deixo aqui o documentário Nelson Sargento da Mangueira, lançado em 1997 sob a direção de Estêvão Pantoja.

Músicas:

1. Triangulo Amoroso
2. Falso Moralista
3. Agoniza Mas Não Morre
4. A Noite Se Repete
5. Muito Tempo Depois
6. Minha Vez De Sorrir
7. Sonho De Um Sambista
8. Infra Estrutura
9. Primavera
10. Por Deus, Por Favor
11. Falso Amor Sincero
12. Lei Do Cão

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pulp Fiction - Music From The Motion Picture

Duas horas e meia que passam em um piscar de olhos. Não que eu tenha muita experiência no mundo cinematográfico, mas eu sei que quando isso acontece é porque o filme vale a pena. Pulp Fiction é apontado como um dos melhores e mais criativos filmes da década de 90.

Não é preciso fazer o mínimo esforço para se dar bem com Vicent Vega e Jules Winnfield, dois gangsters enviados pelo patrão Marsellus Wallace para fazer uma cobrança que acaba virando uma chacina. Destaque para a intervenção espetacular do sensacional Winston 'The Wolf' Wolfe, que salva os dois capangas.

Porém a trama não se resume a isso, ainda temos mais duas histórias. Em uma delas, Vicent Vega recebe a missão de levar a mulher do patrão, Mia Wallace, para jantar, e acaba se metendo em uma confusão das piores. Por último vem a história do boxeador Butch Coolidge, que faz um trato com Marsellus Wallace para perder uma luta, mas acaba enganando o chefão.

Os diálogos são sensacionais e a trilha sonora então, com o perdão do trocadilho, é "coisa de cinema". Uma das melhores que tive oportunidade de ouvir, assim como todas as outras que compõem as películas de Quentin Tarantino. Definitivamente o cara tem bom gosto.

Músicas:
1. Misirlou - Dick Dale & His Del-Tones
2. Royale With Cheese
3. Jungle Boggie - Kool and The Gang
4. Let's Say Together - Al Green
5. Bustin Surfboarders - The Tornadoes
6. Lonesome Town - Ricky Nelson
7. Son Of a Preacher Man - Dusty Sprincher Man
8. Bullwinkle Part II - The Centurians
9. You Never Can Tell - Chuck Berry
10. Girl You Will Be a Woman Soon - Urge Overkill
11. If Love Is A Red Dress - Maria Mckee
12. Comanche - Revels
13. Flowers On The Wall - Statler Brothers
14. Personality Goes A Long Way
15. Surf Rider- Lively Ones
16. Ezekiel 25:17
17. Since I First Met You - The Robins
18. Rumble -Link Wray And His Ray Men
19. Strawberry Letter #23 - Brothers Johnson
20. Out Of Limits - The Marketts

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Pulp Fiction trailler

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Foi um prazer...

Me recordo bem de um jogo pelas oitavas de Roland Garros em 2001, quando este cidadão aí de cima estava no topo, jogava mal e perdia para um mero desconhecido, o americano Michael Russel, por 2 a 0 com um match point contra. E me lembro mais ainda, quando este mesmo sujeito salvou a bola do jogo, ganhou por 7/6 o terceiro set e iniciou uma virada sencacional, vencendo por 3 a 2.

A vitória contra Russel culminaria no tri campeonato de Guga em Roland Garros, quando ao ganhar a partida final contra Alex Corretja por 3 sets a 1, desenhou um coração e deitou no meio daquela terra batida na qual ele patinava como ninguém. O manezinho da ilha já havia vencido em 1997, quando ainda moleque foi a surpresa do torneio, e em 2000, quando desbancou o russo Yevgeny Kafelnikov na decisão.

Gustavo Kuerten foi o único tenista a derrubar em dois dias seguidos, dois gigantes do tênis. No Master Cup de 2000, em Lisboa, Guga passou primeiro por Pete Sampras de virada. Depois, na final do dia seguinte, arrasou André Agassi com um 3 a 0 e se sagrou campeão, confirmando o posto de número 1 do mundo.

Em 2004, em Roland Garros, completamente desacreditado, um velho Guga já com os quadris quebrados deu uma aula de tênis a um tal do Roger Federer, já número 1 do mundo naquele ano. Guga aplicou um 3 a 0 indiscutível, nessa que foi a última derrota por 3 sets a 0 da carreira de Federer.

Com 358 vitórias e 20 títulos de simples em sua carreira, Gustavo Kuerten foi um gigante dentro da quadra. Fora dela, um cara simples e carismático, que conquistou uma nação inteira com suas vitórias, sua alegria e seu sorriso campeão. Foi um prazer ver esse tal de Guga brincar de jogar tênis.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Cartola - Cartola (1976)

Quando trabalhava como servente em uma construção civil, Agenor de Oliveira, com medo dos pedaços de cimento que poderiam eventualmente cair em sua cabeça e grudar nos seus cabelos, usava uma chapéu-côco. Desta feira, foi apelidado pelos companheiros de Cartola, nome que se eternizaria nas páginas da história do samba.

Um dos fundadores da Estação Primeira da Mangueira, que nasceu em 1928 do núcleo do Bloco dos Arengueiros, Cartola é apontado como o responsável pela escolha das cores da escola (verde e rosa). Para aqueles que diziam que as cores não combinavam, ele respondia categórico : "Ora, o verde representa a esperança, o rosa representa o amor, como o amor pode não combinar com a esperança?".

Depois de ser regravado por muitos cantores na década de 30, Cartola saiu de cena, só aparecendo novamente nos anos 50, quando o cronista Sérgio Porto encontrou o velho sambista trabalhando como lavador de carros. De volta a ativa, Cartola ao lado de sua mulher Zica, abriu no Rio de Janeiro o bar do Zicartola, onde o samba era a palavra e a música de ordem.

Mais tarde, somente em 1974, com 65 anos, o sambista lançaria seu primeiro disco, um clássico indiscutível do samba. Porém, dois anos depois, Cartola ainda conseguiria fazer um estrago maior, lançando este disco que disponibilizo hoje para vocês.

Reconhecido como um dos maiores discos da história do samba, suas músicas foram gravadas e regravadas posteriormente por inúmeros cantores. E mesmo assim, na minha humilde opinião, nenhuma das interpretações conseguiu, nem conseguirá, se aproximar da voz rasgada de Cartola. O motivo? É impossível superar o original.

Músicas:
1. O Mundo é um Moinho
2. Minha
3. Sala de Recepção
4. Não Posso Viver Sem Ela
5. Preciso Me Encontrar
6. Peito Vazio
7. Aconteceu
8. As Rosas Não Falam
9. Sei Chorar
10. Ensaboa Mulata
11. Senhora Tentação
12. Cordas de Aço

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segunda-feira, 19 de maio de 2008

RJD2 - Deadringer (2002)

Graças a recomendações de amigos, tive o prazer de ouvir esta beleza de som pela primeira vez. Trata-se do produtor e dj Ramble John Krohn, mais conhecido no submundo da música como RJD2. O cara é um verdadeiro brincalhão quando o assunto é rechear batidas características do hip hop com sons experimentais.

Deadringer, de 2002, é o seu primeiro albúm. Nele podem ser encontradas verdadeiras pérolas musicais como Smoke and Mirrors, Ghostwriter, The Horror, Chicken-Bone Circuit, 2 More Dead, Work, entre outras bandidas, que tomam de assalto e fazem reféns os inocentes ouvidos, premiados de bandeja com a genialidade da música de RJD2.

Para quem quiser conferir uma palhinha, pode sacar alguns clipes que eu postei anteriormente. Só é seguir o link.

Músicas:
1. The Horror
2. Salud
3. Smoke and Mirrors
4. Good Times Roll Pt.2
5. Final Frontier (Featuring Blueprint)
6. Ghostwriter
7. Cut out to FL
8. F.H.H. (Featuring Jakki Da Motamouth)
9. Shot in the Dark
10. Chicken-Bone Circuit
11. The Proxy
12. 2 More Dead
13. Take the Picture Off
14. Silver Fox
15. June (Featuring Copywrite)
16. Work (Incluindo a faixa extra Here's What's Left)

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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Toni Tornado - Br3 (1971)

O Toni veio do Antônio, o Tornado foi adotado pois "dançava feito um furacão". E foi dançando e berrando como nunca que Antônio Viana Gomes, o Toni Tornado, ganhou o V Festival Internacional da Canção, em 1970. Na ocasião, subiu ao palco exibindo seu volumoso black power, sem camisa e com um sol desenhado no peito. Interpretou BR-3 e venceu a parada, que tinha gente talentosa como Gilberto Gil, Jair Rodrigues e Caetano Veloso.

Tornado tem uma história e tanto, que começou em sua cidade natal, Mirante do Paranapanema, interior de São Paulo, de onde saiu em 1942, quando tinha 11 anos. De carona, o garoto foi parar no Rio de Janeiro, onde passou a morar na rua, vendendo amendoin e sendo engraxate. Isso até se alistar no Exército, onde chegou a servir na guerra pelo Canal de Suez, no Oriente Médio.

Nos anos 60 viveu como clandestino nos Estados Unidos, onde no Harlem, em Nova York, chegou a trabalhar com o tráfico de drogas, anotando os pedidos dos viciados. Porém, seus dias na terra do Tio Sam estavam contados e nem seu Cadillac, nem tampouco sua ginga black foram capazes de evitar sua deportação.

Logo na volta ao Brasil em 1969, com roupas coloridas e cabelo pintado, Tornado foi prontamente levado ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Em 1972 ele voltaria a ter problemas, quando durante um show de Elis Regina, subiu ao palco e cantou fazendo o símbolo dos Panteras Negras (o punho erguido). Toni foi preso ao descer do palco e levado novamente ao Dops, onde segundo o mesmo, foi obrigado a cantar Br3 para cada um dos policiais.

No mesmo ano, o cantor foi levado para a TV Tupi e a partir daí seguiu sua carreira de ator, participando de vários filmes, minisséries e novelas. O Toni ator interpretou personagens famosos como Rodesio, capanga da viúva Porcina em Roque Santeiro, e Gregório Fortunato, chefe da guarda de Getúlio Vargas na minissérie Agosto, entre outros.

Até hoje, o velho Toni continua trabalhando na TV. Com os 77 anos se aproximando, no dia 26 de maio, o cantor e ator continua o figura de sempre, com seu seu jeitão peculiar de ser, a ginga black e é claro, sempre usando o velho "Dom" (uma espécie de "Meu chapa") para finalizar suas frases.

Músicas:
1. Juízo final
2. Não lhe quero mais
3. Dei a partida
4. Uma canção para Arla
5. Breve loteria
6. Eu disse amém
7. BR-3
8. Uma vida
9. Papai, não foi esse o mundo que você falou
10. Me libertei
11. O repórter informou
12. O jornaleiro

Abrace essa pérola: Toni Tornado - Br3 (1971)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Morphine - The Night (2000)

Com uma beleza que pode estranhar na primeira audição, The Night foi o último albúm lançado pelo Morphine. O lançamento aconteceu em 2000, quase um ano após a morte do vocalista, letrista e baixista da banda, Mark Sandman, que faleceu vítima de um enfarte durante um show na Palestrina.

Em The Night, um som mórbido e soturno é a trilha para os poemas de Sandman. Canções que lembram bem um dia chuvoso, daqueles em que o tédio reina e as paredes parecem querer engolir tudo ao redor. É nestes momentos que The Night se mostra como uma verdadeira pérola musical, onde em cada nota, cada detalhe de seu som, o sentimento é colocado a flor da pele.

Sandman toca diversos instrumentos neste último albúm, desde seu tradicional baixo de duas cordas, até violão acústico, teclado e trombone. E na companhia de seus compenheiros de Morphine, o saxofonista Dana Colley e o baterista Billy Conway, faz um albúm diferente, mas tão bom quanto os quatro anteriores da banda.

Além do trio Mark Sandman, Dana Colley e Billy Conway, o albúm ainda conta com diversas participações. Entre os convidados estão o ex-baterista da banda, Jerome Deupree, que toca em 10 faixas do albúm, e de algumas amigas de Sandman, que fazem vocais de apoio no decorrer do disco.

Músicas:
1. The Night
2. So Many Ways
3. Souvenir
4. Top Floor, Bottom Buzzer
5. Like a Mirror
6. A Good Woman Is Hard to Find
7. Rope on Fire
8. I'm Yours, You're Mine
9. The Way We Met
10. Slow Numbers
11. Take Me With You

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sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ira! - Psicoacústica (1988)

A Psicoacústica estuda a percepção subjetiva das qualidades (características) do som: intensidade, tom e timbre. O que se encontra nos dicionários traduze bem o que representa este terceiro disco da carreira do Ira!, uma obra musicalmente surpreendente, principalmente quando comparado ao que as bandas brasileiras vinham apresentando nos anos 80.

Mesmo sem alcançar o sucesso comercial que seu antecessor Vivendo e não aprendendo atingiu, Psicoacústica é facilmente um dos melhores discos do Ira!, se não, o melhor deles. Lançado em 1988, além do rockn'roll visceral da banda, as oito faixas que compõem o albúm trazem em pouco mais de meia hora, um vasto circo de sonoridades peculiares, que se debruçam em guitarras cheias de noise rock, flertes psicodélicos, levadas de pandeiro, sons de metais, batidas de reggae e até vocais de rap.

"Trata-se de um faroeste sobre o terceiro mundo", uma narração sombria repete a frase depois de uma verdadeira "pancada musical" regada por uma forte batida e o rasgo de uma guitarra. O famoso Bandido da Luz Vermelha, presença constante nas páginas policiais durante a década de 60, transformado em filme pelo diretor Rogério Sganzerla, é o tema da sensacional Rubro Zorro. Impossível começar de maneira melhor.

A partir daí peculiares Manhãs de Domingo, uma Receita Para Se Fazer Um Herói e até um Advogado do Diabo, como no filme de mesmo nome, surgem e desaparecem em meio às percepções subjetivas proporcionadas pela qualidades (características) do som. Psicoacústica faz ouvidos gozarem de Poder, Sorriso e Fama sem te deixar Farto de Rockn'Roll e Mesmo Distante, eu aconselho: Pegue Essa Arma, ou melhor, abrace essa pérola.

Oito hinos recomendados aos bons ouvidos.

Músicas:
1. Rubro Zorro
2. Manhãs de Domingo
3. Poder, Sorriso e Fama
4. Receita Para Se Fazer Um Herói
5. Pegue Essa Arma
6. Farto de Rockn'Roll
7. Advogado do Diabo
8. Mesmo Distante

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong - Ella And Louis (1956)

Depois de uma semana nervosa, nada melhor do que parar no tempo, se acomodar e dar aquele play. A válvula de escape desses últimos dias, cansativos e agoniantes, foi Ella And Louis, o primeiro filho de uma parceria entre dois dos maiores nomes da história do jazz, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.

A união do canto doce da primeira dama do jazz e a voz rouca de seu parceiro trumpetista são capazes de proporcionar um prazer sem tamanho aos bons ouvidos. Ainda mais quando se tem de apoio uma banda formada pelo piano de Oscar Peterson , a guitarra de Herb Ellis, o baixo de Ray Brown e a bateria de Buddy Rich. Isso sem contar com o trumpete do próprio Louis Armstrong, marcante e sereno em cada momento que surge.

O disco que salvou esta semana e que provavelmente salvará muitas outras. Música tocada com a alma do primeiro acorde até o suspiro final.

Músicas:
1. Can't We Be Friends
2. Isn't This A Lovely Day
3. Moonlight In Vermont
4. They Can't Take That Way From Me
5. Under A Blanket Of Blue
6. Tenderly
7. A Foggy Day
8. Stars Fell On Alabama
9. Cheek To Cheek
10. The Nearness Of You
11. April In Paris

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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Moreira, Bezerra e Dicró – Os 3 Malandros In Concert (1995)

José Carreras, Luciano Pavarotti e Plácido Domingo, os famosos três tenores, realizaram a primeira apresentação juntos em 1990 na ciade de Roma, Itália, país sede da Copa do Mundo daquele ano. A primeira apresentação que reunia os três maiores nomes da música clássica rendeu outras óperas e até o albúm de música clássica que mais vendeu na história. Disco intitulado como Carreras – Domingo – Pavarotti: os Três Tenores em Concerto.

Passados cinco anos da primeira aparição de Pavarotti, Carreras e Domingo juntos, um trio de malandros - Moreira da Silva, Bezerra da Silva e Dicró - teve a genial idéia de fazer uma parceria e de quebra tirar um sarro dos tenores. Daí nasceu a obra Os 3 Malandros In Concert, onde ao invés de óperas pomposas, Moreira, Bezerra e Dicró cantam o humor refinado de seus sambas.

Diante deste registro fantástico faço dos versos dos 3 malandros minhas palavras: "Não tem Pavarotti, José Carreira e nem Plácido Domingo. Eu sou mais o Bezerra, o Moreira da Silva e o Dicró rei do bingo".

Não é ópera...mas é clássico!

Músicas:
1. O Recital
2. Os Três Pagodeiros Do Rio
3. Ópera Do Morro
4. 3 Malandros In Concert
5. Ressuscita Ele
6. Chave De Cadeia
7. Malandro Não Vacila
8. O Político
9. Na Subida Do Morro
10. Dava Dois
11. Lugar Macabro
12. Jogando Com O Capeta
13. Rua Da Amargura

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quarta-feira, 23 de abril de 2008

A Tribe Called Quest - People's Instinctive Travels And The Paths Of Rhythm (1990)

Rimas inteligentes sobre uma combinação de samples muito bem bolada. O Tribe Called Quest é considerada uma referência quando o assunto são experimentações dentro do rap. E não é para menos, os caras comprovam sua versatilidade logo na primeira empreitada oficial, quando lançam em 1990 o albúm People's Instinsctive Travels And The Paths Of Rhythm. Versatilidade que se confirmaria nos trabalhos seguintes, o Low End Theory, de 91, Midnight Marauders, de 93, e Beat, Rhymes and Life, de 96.

A tribo chamada Quest nasceu quando os amigos de infância do Queens, Jonathan Davis (Q-Tip) e Malik Taylor (Phife Dawg), conheceram em 1988 o Dj Ali Shareed Muhammad na Escola de Ensino Médio Murry Bergtraum em 1988. O trio desenvolveu um estilo diferenciado de fazer rap. Clássicos do jazz, soul e pop eram fatiados, sendo mesclados e reconstruídos sob uma nova roupagem, que servia de base para as rimas de Q-Tip e Phife Dawg. Rimas estas, que quebravam o conceito vigente das músicas de rap, que falavam quase exclusivamente de violência, sexo e drogas.

Em People's Instinctive Travels And The Paths Of Rhythm, um choro de bêbê introduz Push It Along, dando passagem para rimas que se alternam com o saxofone envenenado de Grover Washington Jr. O auge do disco se aproxima com a chegada da sensacional I Left My Wallet In El Segundo, que é seguida por Pubic Enemy, saltando na sequência para os dois grandes destaques do disco. Primeiro a relaxante Bonita Applebum e depois a clássica Can I Kick It?, construída com uma base que utiliza a belíssima introdução de Walk On The Wild Side do cantor Lou Reed.

Depois de nos bombardear com rimas e bases inusitadas, Q-Tip, Phife Dawg e Muhammad ainda finalizam o disco com um trio chapa quente. A formação traz a animada Ham'N Eggs e a frenética Go Ahead In The Rain, que começa com Jimi Hendrix cantando um trecho de Rain Day, Dream Away. A trinca final é então completada pela dançante Description Of a Fool, que põe um ponto final e definitivo às viagens instintivas dos povos e caminhos do ritmo.

Recomendado!

Músicas:
1. Push It Along
2. Luck Of Lucien
3. After Hours
4. Footprints
5. I Left My Wallet In El Segundo
6. Pubic Enemy
7. Bonita Applebum
8. Can I Kick It?
9. Youthful Expression
10. Rhythm (Devoted To The Art Of Moving Butts)
11. Mr. Muhammad
12. Ham 'N' Eggs
13. Go Ahead In The Rain
14. Description Of A Fool

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domingo, 20 de abril de 2008

Mundo Livre S/A - Samba Esquema Noise (1994)

Adicione doses desmedidas de samba, jogando em seguida o maracatu, e por fim, misture tudo com guitarras pesadas e outras experimentações peculiares. A receita leva um nome que nos lembra o Samba Esquema Novo, do alquimista Jorge Ben, com a diferença de que ao em vez de "Novo", este esquema é "Noise".

Primeiro trabalho do Mundo Livre S/A, Samba Esquema Noise foi lançado em 1994, dois anos depois do lançamento do manifesto Caranguejos Com Cérebro, assinado por Fred 04, Chico Science e Renato Lins, que marcou o nascimento do Manguebit, ou Manguebeat. Movimento nascido da idéia de mangueboys, que cansados do marasmo da cena musical de Recife, pregavam a universalização e modernização da música pernambucana.

Como um dos gritos primais desta geração de mangueboys e manguegirls, Samba Noise é um esquema essencial para os ouvidos sedentos por música criativa e diferenciada. Obrigatório para aqueles que se dizem admiradores do Manguebit. E capaz de arrasar fronteiras musicais, transpirando até a última gota, doses cavalares de inovação.

Vale a aquisição!

Músicas:
1. Manguebit
2. A Bola do Jogo
3. Livre Iniciativa
4. Saldo de Aratú
5. Uma Mulher com W... Maiúsculo
6. Homero, o Junkie
7. Terra Escura
8. Rios (Smart Dugs), Pontes & Overdrives
9. Musa da Ilha Grande
10. Cidade Estuário
11. O Rapaz do B... Preto
12. Sob o Calçamento (se Espumar é Gente)
13. Samba Esquema Noise

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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Blue King Brown - Stand Up (2006)

Como prometido, está aí o primeiro disco oficial do Blue King Brown, o Stand Up. A banda australiana fundada pela vocalista Natalie Pa'apa'a e pelo baixista Carlo Santone mescla reggae, afro/beat e pinceladas de música latina, fazendo um som original e cheio de ritmo.

A percussão traz uma batida acelerada que aprisiona os ouvidos e marca o início avassalador do disco com Come and Check Your Read, que ainda tem um solo de teclado para tirar do sério qualquer cidadão. Por sinal, tanto a bateria nervosa de Salvador Persico, quanto o teclado arrasador de Sam Cope são uma constante marcante.

A sonzeira segue seu rumo, carregada de suingue, liderada pela bela voz de Natalie, que se supera a cada canção que passa...o ritmo não para um segundo sequer. A chegada de Samoa's Song dá um descanso aos ouvidos com uma melodia leve, no que podemos considerar a "balada" do disco.

Porém para quem pensou que tudo termina de forma calma se engana, logo em seguida vem a chamada saideira, mais conhecida em Stand Up como Us and Them, que soa como um resumo da obra. Começa com um inconfundível solo de teclado, que abre as portas para a voz de Natalie, em seguida uma sensacional viajem de sons entra em cena, e a voz de Natalie então retorna triunfante, para finalizar com perfeição este belo trabalho de estréia do Blue King Brown.

Músicas:
1. Come and Check Your Head
2. Stand Up
3. One Day
4. Don´t Let Go
5. We Won't Go
6. Keep It True
7. Comin Through
8. Water
9. Samoa's Song
10. Us And Them

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domingo, 13 de abril de 2008

Chico Buarque - Construção (1971)

Vindo de um exílio de dois anos na Itália, Chico Buarque voltou a sua pátria para edificar uma Construção magnífica em sua beleza e contestadora em sua essência. O povo brasileiro vivia “anos de chumbo” e a Ditadura Militar chegava ao auge de sua dureza, reprimindo todo e qualquer tipo de manifestação que fosse de encontro a seus interesses e formas de agir.

Construção abre com Deus Lhe Pague, um agradecimento irônico pelos prazeres simples e cotidianos, pelo fato de podermos respirar, existir. Existência que nos leva ao samba pausado e cadenciado de Cotidiano, a ilustração perfeita da rotina quase monótona de um casal.

Depois de um breve Desalento, o ponto mais alto vem com a faixa-título, uma história épica do homem que teve seu fim decretado na contramão, atrapalhando o tráfego, atrapalhando o sábado. Um apse passageiro, que deixa para posteridade Cordão, mais um daqueles sambas sem igual, "ninguém vai me acorrentar, enquanto eu puder cantar, enquanto eu puder sorrir".

Tudo então parece parar no ar com Olha Maria, belos e tristes versos cantam a partida e o abismo que vai ser deixado em seu lugar. Vazio ocupado pelo animado e clássico Samba de Orly, que cede seu espaço para versos calmos, dessa vez de Valsinha, uma história de amor daquelas em que "o dia amanheceu em paz".

Depois da mãe de Minha História, que não sabia cantar cançao de ninar, e embalava a criança com músicas de cabaré, vem um Acalanto. A pequena é embalada e se aproxima cada vez do momento sublíme do sono, convencida de que "não vale a pena despertar".

Construção se fez em dez canções, edificadas sob a tutela do genial Chico Buarque. Um disco rápido como um bala e marcante de um jeito que só ele pode ser.

Músicas:
1- Deus lhe Pague
2- Cotidiano
3- Desalento
4- Construção
5- Cordão
6- Olha Maria
7- Samba de Orly
8- Valsinha
9- Minha História (Gesubambino)
10- Acalanto

Abrace essa pérola: Chico Buarque - Construção (1971)

terça-feira, 8 de abril de 2008

The Beatles - Live At The BBC

Bem, de uma maneira superficial pode-se dizer que este disco duplo reúne registros gravados pelos Beatles na BBC de Londres entre os anos de 1962 e 1965. Tais registros trazem desde entrevistas até apresentações ao vivo dos Fab Four. O disco foi lançado em 1994 e foi o primeiro material inédito lançado oficialmente desde Let It Be, em 1970. Uma oportunidade de ver a banda tocar músicas do início da carreira como All My Loving, A Hard Day's Night, I Saw Her Standing There e Can't Buy Me Love em perfomances ao vivo.

Porém, o principal e determinante atrativo de Live At The BBC fica para as interpretações de John, Paul, George e Ringo para canções de cantores como Chuck Berry, Little Richard, Carl Perkins, entre outros, que tiveram influência direta na música tocada pelos quatro rapazes de Liverpool. Só para se ter idéia do tamanho da maravilha, dentre os clássicos interpretados pelos Beatles neste registro estão Johnny B.Goode, Roll Over Bethoven, I Got Woman, A Shot of Rhythm and Blues, That's Alright (Mama) e muitas outras.

Selo de qualidade carimbado!

Disco 1 - Músicas:
1. Beatle Greetings - (diálogo)
2. From Us to You - (John Lennon-Paul McCartney)
3. Riding on a Bus - (diálogo)
4. I Got a Woman - (Ray Charles)
5. Too Much Monkey Business - (Chuck Berry)
6. Keep Your Hands off my Baby - (Goffin-King)
7. I'll Be On My Way - (John Lennon-Paul McCartney)
8. Young Blood - (Leiber and Stoller-Doc Pomus)
9. A Shot of Rhythm and Blues - (Thompson)
10. Sure to Fall (In Love with You) - (Carl Perkins-Claunch-Cantrell)
11. Some Other Guy - (Leiber-Stoller-Barrett)
12. Thank You Girl - (John Lennon-Paul McCartney)
13. Sha la la la la! - (diálogo)
14. Baby It's You - (Mack David-Burt Bacharach-Barney Williams)
15. That's all Right (Mama) - (Arthur Crudup)
16. Carol - (Chuck Berry)
17. Soldier of Love - (Cason-Moon)
18. A Little Rhyme - (diálogo)
19. Clarabella - (Pingatore)
20. I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You) - (Thomas-Biggs)
21. Crying, Waiting, Hoping - (Buddy Holly)
22. Dear Wack! - (diálogo)
23. You Really Got a Hold on Me - (Smokey Robinson)
24. To Know Her is to Love Her - (Phil Spector)
25. A Taste of Honey - (Marlow-Scott)
26. Long Tall Sally - (Johnson-Richard Penniman-Otis Blackwell)
27. I Saw Her Standing There - (John Lennon-Paul McCartney)
28. The Honeymoon Song - (Theodorakis-Sansom)
29. Johnny B Goode - (Chuck Berry)
30. Memphis, Tennessee - (Chuck Berry)
31. Lucille - (Collins-Richard Penniman)
32. Can't Buy Me Love - (John Lennon-Paul McCartney)
33. From Fluff to You - (diálogo)
34. Till There was You - (Wilson)

Abrace essa pérola: The Beatles – Live At The BBC – Disco 1

Disco 2 - Músicas:
1. Crinsk Dee Night - (diálogo)
2. A Hard Day's Night - (John Lennon-Paul McCartney)
3. Have a Banana! - (diálogo)
4. I Wanna Be Your Man - (John Lennon-Paul McCartney)
5. Just a Rumour - (diálogo)
6. Roll Over Beethoven - (Chuck Berry)
7. All My Loving - (John Lennon-Paul McCartney)
8. Things We Said Today - (John Lennon-Paul McCartney)
9. She's a Woman - (John Lennon-Paul McCartney)
10. Sweet Little Sixteen - (Chuck Berry)
11. 1822! - (diálogo)
12. Lonesome Tears In my Eyes - (Johnny Burnette-Dorsey Burnette-Paul Burlison-Mortimer)
13. Nothin' Shakin - (Fontaine-Calacrai-Lampert-Gluck)
14. The Hippy Hippy Shake - (Romero)
15. Glad All Over - (Bennett-Tepper-Aaron Schroeder)
16. I Just Don't Understand - (Wilkin-Westberry)
17. So How Come - (No One Loves Me) (Boudleaux Bryant)
18. I Feel Fine - (John Lennon-Paul McCartney)
19. I'm a Loser - (John Lennon-Paul McCartney)
20. Everybody's Trying to be my Baby - (Carl Perkins)
21. Rock and Roll Music - (Chuck Berry)
22. Ticket to Ride - (John Lennon-Paul McCartney)
23. Dizzy Miss Lizzy - (Larry Williams)
24. Medley: Kansas City/Hey! Hey! Hey! Hey! - (Leiber and Stoller/Richard Penniman)
25. Set Fire to That Lot! - (diálogo)
26. Matchbox - (Carl Perkins)
27. I Forgot to Remember to Forget - (Kelser-Feathers)
28. Love These Goon Shows! - (diálogo)
29. I Got to Find my Baby - (Chuck Berry)
30. Ooh! My Soul - (Richard Penniman)
31. Ooh! My Arms - (diálogo)
32. Don't Ever Change - (Goffin-King)
33. Slow Down - (Larry Williams)
34. Honey Don't - (Carl Perkins)
35. Love Me Do - (John Lennon-Paul McCartney)

Abrace essa pérola: The Beatles – Live At The BBC – Disco 2

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Jorge Ben - Negro é Lindo (1971)

O suingue de Jorge Ben permanece mais que conservado em Negro é Lindo, nono albúm do cantor carioca lançado em 1971. Algo diferente e inovador esta presente no albúm, algo que o torna um divisor de águas na música de Jorge e um dos meus favoritos dentro de sua vasta discografia.

A homenagem feita por Ben aos seus irmãos de cor não se limita somente ao nome do disco. A idéia das palavras que estão no título percorre de forma fantástica a musicalidade que compõe a obra. Suingue e cadência despejados impiedosamente sobre a Cigana dotada da beleza selvagem ou sobre negra Zula que vem chegando na passarela. Mesmo antes delas, sob a aura de um violão rápido e ritmado, quem surge é Cassius Marcellus Clay, que com a postura de uma Estátua da Liberdade e o tamanho de um Empire State emerge para o topo do mundo eternizado como a grande figura de Muhammad Ali. Simples mortais, negros e filhos de Deus, retratados com maestria pela voz e batida inconfundível do violão de Jorge.

Porém não é só isso. Superando até as fronteiras de sua grandeza, Negro é Lindo ainda tem tempo para canções absurdas como a linda Por que é Proibido Pisar na Grama e a clássica Que Maravilha. E isso sem contar com a terrivelmente feminina Rita Jeep (homenagem a Rita Lee que na época tinha um Jeep amarelo) e Comanche, que povoam com ainda mais qualidade este marco na carreira do sensacional Jorge Ben.

Recomendado para dias de chuva e de sol.

Músicas:
1. Rita Jeep
2. Por Que É Proibido Pisar na Grama?
3. Cassius Marcellus Clay
4. Cigana
5. Zula
6. Negro é Lindo
7. Comanche
8. Que Maravilha
9. Maria Domingas
10. Palomaris

Abrace essa pérola: Jorge Ben – Negro é Lindo (1971)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Blue King Brown

Muito very good essa banda meu velho. O Blue King Brown vem da Austrália e faz um som com influências de reggae, afro/beat e até de música latina.

A banda também se notabiliza pelo discurso e ativismo político, presente nas ações e letras das músicas. Canções que em sua maioria são assinadas pela vocalista e guitarrista Natalie Paapaa e pelo baixista Carlo Santone, a dupla de fundadores do Blue King Brown.

O primeiro disco foi lançado em 2006 sob o título de Stand Up. É justamente deste trabalho que vêm as duas músicas a seguir, Stand Up e Water. Mais tarde eu posto o albúm completo.

Por hora fiquem com o velho aperitivo porque esse...é som do "bão".

Blue King Brown - Stand Up


Blue King Brown - Water

segunda-feira, 31 de março de 2008

Breakestra - Hit The Floor

Pois é, direto de Los Angeles, Califórnia, deixo aqui a espetacular Breakestra. Depois de gravar covers de músicas de funk e soul dos anos 60 e 70 com maestria, a orquestra do break, fundada em 1996 pelo músico Miles Tackett, lançou em 2005 um disco com músicas próprias, o Hit The Floor.

Quando conheci este disco, já fui ouvir com certa desconfiança até porque desconhecia a tal banda e na época, não era muito chegado em funk ou soul. O resultado foi uma grata surpresa que eu tive logo que ouvi "Stand Up!"...tive que escutar Hit The Floor até o fim. Quando a audição acabou, aquele ritmo frenético, a levada dançante e o groove inconfundível não saíam mais da cabeça. A partir daí tive de constatar...a sonzeira é de primeira e não deixa ninguém parado.

Imperdível!

Músicas:
1. Stand Up!
2. Gotta Let Me Know
3. Hiding
4. Burgundy Blues
5. You Don't Need To Dance
6. The Gettin' To It
7. At The End Of The Day
8. Recognize
9. Keep On Playin'
10. See Sawing
11. Family Rap
12. How Do You Really Feel?
13. Show & Prove
14. Hit Tha Flo!

Abrace essa pérola: Breakestra – Hit The Floor

quinta-feira, 27 de março de 2008

Pedro Luís e A Parede - Astronauta Tupy

Fora as boas saídas diárias para confraternizar com as amizades a providencial folga proporcionada pela Semana Santa, esses últimos dias se resumiram a leituras de À Sombra das Chuteiras Imortais (muito bom!) e a audições da boa música que torna o dia a dia sempre melhor (ou menos pior) do que poderia ser. Dentre os discos visitados e revisitados nesta última semana esta o Astronauta Tupy, primeiro da banda Pedro Luís e A Parede e que tomou boa parte do meu tempo no feriado que se passou.

Uma coisa que com certeza se pode encontrar no universo deste Astronauta Tupy é ritmo...pulsante, determinado, cadenciado e moderno. O cd foi lançado em 1997 e além de Pedro Luís e sua fantástica parede de sons, ainda conta com as participações das cantoras Fernanda Abreu, Arícia Mess e Suely Mesquita, além das contribuições de Lenine, Ney Matogrosso e grupo Boato.

Sem dúvida um dos melhores achados do ano até agora.

Músicas:
1. Pena de Vida
2. Tudo Vale a Pena
3. Máquina de Escrever
4. Fazê O quê?
5. Soul
6. Caio no Suingue
7. Navilouca
8. Miséria no Japão
9. Seres Tupy
10. Chuva de Bala
11. In The Rain
12. Caramujo Jah
13. [Faixa Extra]

Abrace essa pérola: Pedro Luís e A Parede – Astronauta Tupy

sábado, 22 de março de 2008

O craque sem idade

Quando acabou a etapa inicial do jogo Brasil x Paraguai, o placar acusava um lírico, um platônico 0 x 0. Ora, o empate é o pior resultado do mundo. O torcedor sente-se roubado no dinheiro da entrada e inclinado a chamar os 22 jogadores, mais o juiz e os bandeirinhas de vigaristas. Acresce o seguinte: - de todos os empates o mais exasperante é o de 0 x 0. Essa virgindade desagradável e irredutível do escore já humilhava o público e, ao mesmo tempo, o enfurecia.

Súbito, o alto-falante do estádio se põe a anunciar as duas substituições brasileiras: - entravam Zizinho e Walter. Foi uma transfiguração. Ninguém ligou para Walter, que é um craque, sim, mas sem a tradição, sem a legenda, sem a pompa de um Ziza. O nome que crepitou, que encheu, que inundou todo o espaço acústico do Maracanã foi o do comandante banguense. Imadiatamente, cada torcedor tratou de enxugar, no lábio, a baba da impotência, do desprezo e da frustração. O placar permanecia empatado no 0 x 0. Mas já nos sentíamos atravessados pela certeza profética da vitória. Os nossos tórax arriados encheram-se de um ar heróico, estufaram-se como nos anúncios de fortificante.

Eis a verdade: - a partir do momento em que se anunciou Zizinho, a partida estava automática e fatalmente ganha. Portanto, público, juiz, bandeirinhas e os dois times podiam ter se retirado, podiam ter ido para casa. Pois bem: - veio o jogo. Ora, o primeiro tempo caracterizara-se por uma esterelidade bonitinha. Nenhum gol, nada. Mas a presença de Zizinho, por si só, dinamizou a etapa complementar, deu-lhe caráter, deu-lhe alma, infundiu-lhe dramatismo. Por outro lado verificamos ainda uma vez o seguinte: - a bola tem um instinto clarividente e infalível que a faz procurar e acompanhar o verdadeiro craque. Foi o que aconteceu - a pelota não largou Zizinho, a pelota o farejava e seguia com uma fidelidade de cadelinha ao seu dono. Sim, amigos: - há na bola uma alma de cachora.

No fim de certo tempo tínhamos a ilusão que só Zizinho jogava. Deixava de ser um espetáculo de 22 homens, mais o juiz e os bandeirinhas. Zizinho triturava os outros ou, ainda, Zizinho afundava os outros em uma sombra irremediável. Eis o fato: - a partida foi um show pessoal e intransferível.

E, no entanto, a convocação do formidável jogador suscitara escrúpulos e debates acadêmicos. Tinha contra si a idade, não sei se 32, 34, 35 anos. Geralmente, o jogador de 34 anos está gágá para o futebol, está babando de velhice esportiva. Mas o caso de Zizinho mostra o seguinte: - o tempo é uma convenção que não existe nem para craque, nem para mulher bonita. Existe para o perna-de-pau e para o bucho. Na intimidade da alcova, ninguém se lembraria de pedir à rainha de Sabá, a Cleopatrá, uma certidão de nascimento. Do mesmo modo, que importa a nós tenha Zizinho dezessete ou trezentos anos, se ele decide as partidas? Se a bola o reconhece e prefere?

No jogo Brasil e Paraguai, ele ganhou a partida antes de aparecer, antes de molhar a camisa, pelo alto-falante, no intervalo. Em último caso, poderá jogar, de casa, pelo telefone.

Brasil 3 x 0 Paraguai, 11/05/1955, Zizinho marcou dois e deu o passe para Escurinho marcar o dele.

Nelson Rodrigues

sexta-feira, 21 de março de 2008

AC/DC - '74 Jailbreak (1984)

Puro e furioso, assim é este disco que traz o AC/DC ainda na gestação de sua agora longa carreira. Gravadas em 1974, essas 5 músicas saíram no primeiro EP da banda lançado somente na Austrália. Em 1984, comemorando os 10 anos de estrada, esta maravilha foi relançada.

Jailbreak começa os trabalhos com Angus Young já mandando um riff marcante e grudento, que aliado ao alucinante "Jaaaaaaaailbreaak" cantado pelo vocalista Bon Scott no refrão deixa no ar o que esta por vir. Com o terreno já preparado, a belíssima You Ain't Got a Hold On Me entra em cena e mantém com sobras o ritmo frenético com que as coisas caminham.

A nítida influência do blues aflora de uma vez por todas com a boa Show Business, deixando tudo pronto para a entrada triunfal de Soul Stripper no palco, que além de não deixar a peteca cair, conta com uma atuação digna de Oscar de Angus Young. A linha de baixo começa e as guitarras de Angus e Malcolm vão ensaiando a próxima cena, que aos poucos vai se materializando e se transforma em uma das melhores músicas desta obra.

A conclusão então fica a cargo de Baby Please Don't Go, clássico gravado pela primeira vez pelo cantor Big Joe Williams em 1935 e que quase 50 anos depois, fecha com cara de AC/DC este EP de 1974, puro e furioso.

Músicas:
1. Jailbreak
2. You Ain't Got Hold On Me
3. Show Business
4. Soul Stripper
5. Baby Please Don't Go

Abrace essa pérola: AC/DC – ’74 Jailbreak

terça-feira, 18 de março de 2008

Valeu Zaca

Um dia que traz uma lembrança triste, mas que ao mesmo tempo traz à tona um sorriso único. Hoje, dia 18 de março, são completados 18 anos da morte do humorista Mauro Gonçalves, conhecido por interpretar o genial trapalhão Zacarias.

O tímido Mauro, nascido na cidade mineira de Sete Lagoas, começou sua carreira como humorista no rádio. Em 1975 foi convidado a formar ao lado de Didi, Dédé e Mussum, o sensacional quarteto "Os Trapalhões".

Foi nessa época que o personagem Zacarias se eternizou como o cara careca, carismático e infantil, acostumado (ou não) a sempre perder sua peruca. Isso sem contar com o melhor...aquela risada hilária que despertou e até hoje desperta o sorriso no rosto de qualquer cidadão que se preze.

Em 1990, vítima de uma insfuficiência respiratória, o tímido Mauro se foi, deixando na memória de muitos, a imagem e as trapalhadas do inesquecível Zacarias.

Os Trapalhões
O Forró dos Trapalhões - 1981
Deixo aqui este disco dos trapalhões de 1981. Forró dos Trapalhões teve a participação de Didi, Dédé e Zacarias. O grande Mussum ficou fora dessa porque na época ele tinha contrato com outra gravadora e não pôde participar desta relíquia.

Para quem quiser ouvir o velho Mussa já foi postado o seu cd de samba lançado em 1978, o aclamadíssimo Água Benta.

Músicas:
1. A Velha Debaixo da Cama
2. Belorizonten
3. As Pessoas e A Espingarda
4. Rio de São Sebastião
5. Seca e Chuva
6. Terral
7. Cajuina
8. O Casamento da Filha do Faceta
9. O Pau de Arara

Abrace essa pérola: Os Trapalhões - O Forró dos Trapalhões

segunda-feira, 17 de março de 2008

Entrevista com Mano Brown - Roda Viva

Lembrei ontem que não tinha assistido a esta entrevista...mais uma vez o Youtube me salvou. O programa Roda Viva com Mano Brown foi ao ar em setembro do ano passado.

Para os interessados que não tiveram oportunidade de assistir ou que tiveram e desejam rever o programa, aí está.

Entrevistadores: Maria Rita Kehl, psicanalista; Paulo Lins, escritor, professor de literatura e roteirista de cinema; Renato Lombardi, jornalista da TV Cultura; Ricardo Franca Cruz, editor-chefe da revista Rolling Stone Brasil; José Nêumanne, editorialista do Jornal da Tarde e comentarista da rádio Jovem Pan e do SBT; Paulo Lima, editor revista Trip.

Apresentação: Paulo Markun

Roda Viva - Entrevista com Mano Brown - Parte 1


Roda Viva - Entrevista com Mano Brown - Parte 2


Roda Viva - Entrevista com Mano Brown - Parte 3


Para os interessados vou deixar outra entrevista (muito boa) com o líder do Racionais Mc's. Desta vez quem entrevista Mano Brown é o jornalista Spensy Pimentel. Leia na íntegra...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Nouvelle Vague - Bande à Part (2006)

A proposta desta banda francesa de nome Nouvelle Vague, é simplesmente pegar músicas de bandas dos anos 80 e recriá-las sob uma nova atmosfera musical, mais suave que as originais, com um som que flerta principalmente com a bossa nova.

O projeto foi criado por Marc Collin e Olivier Libaux, que para efetivarem a idéia, convocaram uma série de cantores. Em Bande à Part, segundo disco da banda, as vozes que ecoam são de Melanie Pain, Phoebe Killdeer, Marina Celeste, Silja e Gerald Toto.

Música que flui suave e fácil pelos bons ouvidos... é som de primeira.

Músicas:
1. Killing Moon - Echo and Bunnymen
2. Ever Fallen In Love - The Buzzcocks
3. Dance With Me - Lords Of The New Church
4. Don't Go - Yazoo
5. Dancing With Myself - Billy Idol
6. Heart Of Glass - Blondie
7. O'pamela - The Wake
8. Blue Monday - New Order
09. Human Fly - The Cramps
10. Bela Lugosi's Dead - Bauhaus
11. Escape Myself - The Sound
12. Let Me Go - Heaven 17
13. Fade To Grey - Visage
14. Waves - Blancmange

Abrace essa pérola: Nouvelle Vague – Bande A Part (2006)

terça-feira, 11 de março de 2008

Beastie Boys - The Rat Cage

Tá difícil de manter isso aqui atualizado, ainda mais com as tais das aulas que voltaram agora. Mas, vamos lá...

Hoje a boa é o clipe de uma música do cd The Mix Up, dos Beastie Boys, lançado no ano passado e que traz a banda sem as rimas conhecidas pelos fãs, mas sim com um trabalho instrumental com os próprios integrantes tocando os instrumentos.

O resultado vale a pena...é só conferir.

Beastie Boys - The Rat Cage

quarta-feira, 5 de março de 2008

Secos & Molhados - Secos & Molhados (1973)

"Surgiram e acabaram logo (...) como se tivessem sido o brilho súbito de um quasar, uma suave explosão, um sonho irrepetível". (Luiz Carlos Maciel)

Eis de onde o Kiss tirou a brilhante idéia de pintar a cara, reza a lenda.

Voltando...o que interessa mesmo é saber que só pela capa deste clássico, você já pode fazer a aquisição, porém o pior é que ainda existe o agravante do conteúdo absurdo deste que foi o primeiro disco dos lendários Secos & Molhados. Música ao pé da letra com Ney Matogrosso, João Ricardo, Gerson Conrad e Marcelo Frias.

Por favor...estejam servidos.

Músicas:
1. Sangue Latino
2. O Vira
3. O Patrão Nosso de Cada Dia
4. Amor
5. Primavera Nos Dentes
6. Assim Assado
7. Mulher Barriguda
8. El Rey
9. Rosa de Hiroshima
10. Prece Cósmica
11. Rondo do Capitão
12. As Andorinhas
13. Fala

Abrace essa pérola: Secos & Molhados – Secos & Molhados (1973)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Ray!

Sem dúvida este entrou para a minha lista de melhores filmes biográficos, principalmente quando se trata de levar a vida de personagens da música para a grande tela. Ray! é uma película fiel à sua proposta, que no caso é contar a história da vida e da carreira da lenda da música negra, o cantor e pianista Ray Charles.

Ray! alterna momentos marcantes da carreira do cantor, com sua vida pessoal, a precoce perda da visão, pesadelos com a morte de seu irmão quando ambos ainda eram crianças e o vício de heroína. A interpretação do ator Jamie Foxx como Ray Charles é um absurdo, o cara não brincou em serviço.

Curiosidades: Jamie Foxx teve que usar olhos protéticos que realmente o deixavam cego quando interpretava Ray Charles, o que ocorria cerca de 14 horas por dia durante as filmagens. O ator chegou a ter aulas de Braille para melhor entender e interpretar Ray Charles no filme.

Ray Charles faleceu em 10 de junho de 2004, pouco após o término das filmagens de "Ray". O roteiro do filme chegou a ser transposta para a linguagem em Braille de modo que o próprio pianista pudesse lê-lo.

O diretor Taylor Hackford assegurou os diretos de filmar a vida de Ray Charles desde 1987. Porém, à época não pôde levar adiante o projeto já que não encontrou um estúdio que se interessasse pela história.

Ray! - Trailer


Ray!
Original Motion Picture Soundtrack - 2004

Além do filme em si, a trilha sonora de Ray! não deixa barato...só clássico deste gênio da música que foi Ray Charles.

Músicas:
1. Mess Around
2. I Gotta Woman
3. Hallelujah I Love Her So (Live)
4. Drown In My Own Tears
5. (Night Time Is) The Right Time
6. Mary Ann
7. Hard Times (No One Knows Better Than I)
8. What I Say (Live)
9. Georgia On My Mind
10. Hit The Road Jack
11. Unchain My Heart
12. I Can't Stop Loving You (Live)
13. Born To Lose
14. Bye Bye Love
15. You Don't Know Me (Live)
16. Let The Good Times Roll (Live)
17. Georgia On My Mind (Live)

Abrace essa pérola: Ray! – Original Motion Picture Soundtrack

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Tim Maia Racional

O ano de 1975 soou diferente para Tim Maia. Mesmo sendo lembrado com remorso e arrependimento pelo cantor, foi um tempo marcante e místico, que sem dúvidas ficou forte e vivo nas entranhas da história da música brasileira. Foi a época da fase "Racional" do pai da soul music brasileira, quando Tim mergulhou de corpo e alma na ideologia conhecida como Cultura Racional, uma espécie de forma de raciocínio, que tem suas idéias explicadas pelo livro Universo em Desencanto, uma verdadeira bíblia dos seguidores racionais. O homem a frente da cultura, considerado o Racional Superior na Terra, atende pelo nome de Manuel Jacintho Coelho.

Foi justamente por meio de uma leitura de Universo em Desencanto, que Tim Maia ficou ficcionado pela Cultura Racional. Tim vendeu tudo o que tinha, largou as drogas, aboliu a carne vermelha do cardápio e só vestia roupas brancas, como exigia a cartilha de um seguidor exemplar do mestre Manoel Jacintho.

O cantor se dedicava intensamente e exclusivamente à sua nova Cultura. Exigiu que os músicos de sua banda todos se convertessem à Cultura Racional, fato este que se concretizou. Assim Tim Maia comprou tinta guache e pediu que todos pintassem seus instrumentos de branco. Só quem escapou foram as teclas pretas do piano. O dinheiro dos shows era todo revertido para as mãos do mestre Manoel Jacintho.

Um belo dia, aquela vida se tornou cansativa para o gênio avassalador do cantor. Desiludido com tudo aquilo e com uma vontade imensa de voltar aos velhos vícios, o dono de uma das maiores vozes do Brasil resolver largar o osso e voltar a ser o velho Tim Maia, na loucura de seu ser.

Tim Maia
Racional - 1975

Apesar da decepção que a encerrou, a fase messiânica da carreira de Tim Maia rendeu um fruto menosprezado injustamente no passado e que hoje é cobiçado como uma raridade pelos apreciadores de boa música. Trata-se do disco Racional, lançado em 75 e dividido em dois volumes que trazem o cantor em sua melhor forma, cantando com uma voz impecável, resultado da caretice proporcionada pela sua então nova filosofia de vida.

Com a desvinculação de Tim Maia da antiga gravadora, o lançamento do disco foi feito através do selo Seroma (abreviação do próprio nome Sebastião Rodrigues Maia), criado pelo cantor. Nesta época Tim teve de encarar a discórdia da imprensa e das pessoas, que não se deram bem com a novidade.

Reportagem do Fantástico - Tim Maia Racional

Com uma pegada funk/soul, as idéias racionais são pregadas de forma explícita, as vezes o trabalho soa como mera propaganda da Cultura Racional, mas "que" propaganda. O volume I já abre em grande estilo com a única música que teve o privilégio, ou não, de tocar nas rádios. Imunização Racional (Que Beleza) já mostra que tipo de som o amigo ouvinte vai ter oportunidade de encarar. Simplesmte o disco é repleto de grandes canções, como podem ser citadas Caminho do Bem, Rational Culture, Bom Senso, Ela Partiu, entre outras.

Os dois volumes de Tim Maia Racional foram completamente renegados por seu autor, que tirou todos os discos de circulação e mais tarde, no ano de 1991 em entrevista à revista Playboy, se referiu assim ao seu antigo mestre e ao pensamento racional: ""Logo vi que o negócio era umbanda e baixo espiritismo. Esse Manoel Jacinto não me engana, ele passou 15 anos treinando com o bruxo Seu Sete da Lira e era dono de uma propriedade enorme em Nova Iguaçu, que tinha até motel para extraterrenos. Ele tomava Guiné-tatu, uma raiz que deixa a pessoa querendo sexo três dias sem parar, pode ter até 90 anos que a bandeira levanta. Ele era o rei do Guiné-tatu e comia todas as garotinhas, botou uma ovelha em cada casa. E ainda dizia que mulher magnetizava.”

Dois discaços...só degustação

Músicas:
1. Imunização racional (Que beleza)
2. O grão mestre varonil
3. Bom senso
4. Energia racional
5. Leia o livro Universo em Desencanto
6. Contacto com o mundo racional
7. Universo em desencanto
8. You don't know what I know
9. Rational culture
10. Ela Partiu (Bônus)
11. Meus Inimigos (Bônus)

Abrace essa pérola: Tim Maia – Racional – Vol.1

Músicas:
1. Quer queira quer não queira
2. Paz Interior
3. O caminho do bem
4. Energia racional
5. Que legal
6. Cultura racional
7. O dever de fazer propaganda deste conhecimento
8. Guiné Bissau, Moçambique e Angola racional
9. Imunização racional(Que beleza)

Abrace essa pérola: Tim Maia – Racional – Vol.2

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

RJD2...

Ramble John "RJ" Krohn é um produtor e Dj americano que mistura bases de hip hop com experimentalismo. O resultado da brincadeira são maravilhas que não podem deixar de ser apreciadas por bons ouvidos.

RJD2 tem três cds oficiais lançados: Deadringer (2002), Since We Last Spoke(2004) e The Third Hand (2007). Além disso ainda existem diversos singles e compilações que podem ser encontradas.

Já conhecia algumas empreitadas que o cara fazia, mas aí o cidadão ainda me vem com uns clipes desta periculosidade.

Para quem não conhece, estão aí os aperetivos...

RJD2 - 1976




RJD2 - Work It Out




RJD2 - The Horror

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Maravilhas do jazz...

Após um dia agoniante daqueles que atormentam qualquer cidadão, a vontade é de jogar todos os problemas e preocupações do cotidiano para o mais longe possível e manter a mente livre dos males que impedem até uma boa noite de sono. A música ao que me consta ainda não aparece nas receitas médicas, mas se mostra como um remédio imprescindível para aliviar os tormentos que se fazem constantes na rotina das pessoas. Para tanto, um gênero medicinal que tem um poder de cura fora do comum é o jazz.

Dentro do universo jazzístico, diferentes sensações podem ser experimentadas, do êxtase total a uma completa paz espiritual. A oportunidade que se faz presente é a de manter a mente em "standy by" e navegar pelos prazeres proporcionados pelo som único deste estilo. O melhor é que dentro do próprio jazz, podem ser encontrados leques e mais leques de inovações, algumas maravilhas demoram para serem digeridas, enquanto outras são facilmente comestíveis. Há algo que possa soar estranho em uma primeira audição, mas o estranhamento existe para ser compreendido. Quando tal fato acontece, o medicamento jazzístico torna-se altamente essencial e dotado de um poder viciante sem precedentes.

John Coltrane
A Love Supreme - 1964

Gravado na noite de 9 de dezembro de 1964 em uma única sessão com o pianista McCoy Tyner, o baixista Jimmy Garrison e o baterista Elvin Jones, o próprio John Coltrane se referiu a este albúm como um presente que ele preparou para Deus. Nesta obra-prima, o já consagrado saxofonista mostra toda sua criatividade e faz deste disco de quatro temas uma viajem que parece não querer ser interrompida, segundo seu autor, um "despertar espiritual". O som ganha uma vida que percorre os caminhos mais peculiares, obscuros e iluminados que se possa imaginar em uma mesma caminhada.

Acknowledgment abre o albúm com maestria e Coltrane faz até um vocal enigmático na música, quando ele repete "A Love Supreme" em um tom estranho e marcante. O saxofonista emenda na sequência com a bela Resolution para então chegar aos dois últimos temas, Pursuance e a verdadeira oração chamada Psalm, gravadas em um só take.

O que se nota é uma performance sensacional não só do velho John, como do quarteto como um todo, as linhas de baixo de Jimmy Garrison, o inspirado piano de Mcoy Tyner e a surpreendente bateria de Elvin Jones, que serve como uma introdução para Pursuance, não passam despercebidas, muito pelo contrário são eles que junto ao sax tenor de Coltrane fazem deste um dos melhores albúns de jazz da história.

"Este disco é uma viajem quase perfeita ao despertar da consciência, à compreensão do mundo e à iluminação espiritual", palavras do crítico musical John Lewis.

Músicas:
01. Acknowlegment
02. Resolution
03. Pursuance
04. Psalm

Abrace essa pérola: John Coltrane – A Love Supreme (1964)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Quotidiano

Estes dias folheando jornal me deparei com uma notícia no mínimo curiosa e vou transcrevê-la aqui:

West Shopping Mossoró, em Mossoró/RN, uma juíza federal do Ceará lancha tranquilamente na praça de alimentação quando se depara com um sujeito falando ao celular ao lado de sua mesa.

O meliante falava alto: "estou perto de uma neguinha". A juíza aguardou e quando o rapaz repetiu e ela se tocou de que a brincadeira era com sua pessoa mesmo, se levantou. Perguntou ao jovem se ele estava se referindo a ela. O sujeito, irônico, declarou: "homem, estou aqui, com uma neguinha, de blusa de tal cor, falando comigo".

A mulher pediu para que dois policiais que estavam no Shopping prendessem o rapaz, por crime de preconceito. Os homens da lei se recusaram a atender a moça e não viram motivo para que o cidadão fosse de fato preso.

Bem...com a recusa, a juíza chamou policiais federais e estes por sua vez prenderam além do jovem - componente de uma das mais tradicionais e ricas famílias de Mossoró - os dois policiais que se negaram a cumprir a lei.

Verídico ou não, como diz o poeta: Respeito é bom e conserva os dentes...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Gilberto Gil e Jorge Ben - Gil e Jorge - Ogum Xangô (1975)

Dois gênios da música brasileira se encontram em uma noite de 1975, reunidos para uma jam session com seus violões e vozes, somados a uma percussão e um baixo. Gilberto Gil e Jorge Ben assumem em Gil e Jorge a identificação musical existente entre ambos e que ganhou vida sob o título dos orixás Ogum e Xangô.

A dupla realizou uma verdadeira viagem musical lançada em vinil duplo e que teve de ser cortada devido à duração da gravação, que tem mais de 75 minutos. Tempo no qual se desbruçam Gil e Jorge em improvisos sensacionais como na música Taj Mahal, que se estende por pouco mais de 14 minutos.

Há quem diga que os dois responsáveis pela obra estavam sob efeito de alucinógenos, sendo assim ou não, ninguém pode negar que colocar Gil e Jorge em um estúdio e deixá-los produzir livremente por tempo indeterminado deu um belo fruto. Ogum Xangô é mágico do início ao fim e cada canção literalmente estrangulada pela dupla tem sua particularidade que no conjunto da obra formam este disco belo, espontâneo e logicamente...sensacional.

Obs:
A capa usada na postagem é a versão do cd, lançada posteriormente. A imagem da capa original da primeira edição em vinil duplo é esta aqui.

Músicas:
01.Meu glorioso São Cristóvão
02.Nega
03.Jurubeba
04.Quem mandou (Pé na estrada)
05.Taj Mahal
06.Morre o burro, Fica o Homem
07.Essa é Pra Tocar no Rádio
08.Filhos de Gandhi
09.Sarro

Abrace essa pérola: Faixas de 1 a 5: Gilberto Gil e Jorge Ben - Gil e Jorge - Ogum Xangô (1975) – Parte 1

Abrace essa pérola: Faixas de 6 a 9: Gilberto Gil e Jorge Ben - Gil e Jorge - Ogum Xangô (1975) – Parte 2

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Amy Winehouse - Back To Black - Live At BBC Sessions

Só lamento a atual situação da menina porque afinal...ela canta demás da conta.

Back To Black - At BBC Sessions

domingo, 20 de janeiro de 2008

25 anos sem Mané

>
"Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."

Palavras de Carlos Drummond de Andrade há exatos 25 anos, no dia em que falecia a "alegria do povo", "anjo das pernas tortas", Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha. Um homem simples dotado do dom de jogar futebol, que com seus dribles desconcertantes deixou inúmeros "joões" para trás, mas bateu de frente com o alcoolismo, que o derrotou de forma cruel e triste.

Mané chegou ao primeiro treino no Botafogo após ser descoberto pelo ex-jogador Irati. Rejeitado muitas vezes por seu defeito de ter as pernas tortas, o garoto da cidade de Pau Grande só precisou do primeiro tempo do treino no clube carioca para deixar o consagrado lateral esquerdo Nilton Santos, louco. Após o treino, o experiente jogador foi pessoalmente pedir aos diretores do time para que o moleque fosse contratado sob o pretexto de que ele não queria enfrentá-lo novamente.

Era apenas o começo de uma gloriosa carreira tanto no Botafogo, onde ganhou três campeonatos cariocas e duas copas rio-são paulo, quanto vestindo a camisa canarinho, onde ganhou dois mundiais e perdeu apenas um jogo dos 60 que disputou. A primeira Copa do Mundo vencida foi a de 58, torneio ao qual Mané se referiu como "sem graça" e no qual teve atuação decisiva com suas belas descidas pela ponta-direita. A propósito, ele nem iria para o campeonato mundial, pois acabou reprovado no teste psicotécnico, quando ficou muito abaixo da média, só conseguindo sua vaga no selecionado brasileiro graças à uma armação de seus companheiros, liderada por Nilton Santos.

Na Copa do Mundo de 1962, quando Pelé se machucou em pleno torneio, Mané só não fez chover e liderou o time campeão mundial. Uma história curiosa da campanha, é que mais uma vez Nilton Santos, grande compadre de Garrincha, chegou para o ponta direita e falou no vestiário, "o número 5 do time deles anda dizendo que tu és viado Mané". Garrincha respondeu "quando agente entrar no campo você me mostra ele". Mané deixou o inglês Flowers sem pai nem mãe e fez dois dos três gols brasileiros na vitória sobre a Inglaterra. Flowers anos depois: "eu não entendia porque sempre que pegava na bola ele vinha para cima de mim".

Por trás do anjo, que com suas pernas tortas encantava os estádios e trazia alegria para o campo de jogo, vinha o homem de três casamentos, pai de treze filhos e que como todo bom mortal tinha paixões...pela bola, pelas mulheres, pelo alcóol, que arruinou sua vida e o levou a uma morte precoce aos 49 anos de idade. Como tantos outros personagens deste Brasil, Mané morreu no fundo do poço, arruinado, pobre, sozinho e esquecido por todos, deixando como eternos nas mentes das pessoas seu talento e sua irreverência que tanto o identificavam como a verdadeira "alegria do povo".

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

The Nightwatchman - One Man Revolution (2007)

"Ele escutou uma música do KISS e teve vontade de tocá-la. Pagou 5 dólares para um rapaz ensiná-lo, mas a primeira coisa que este cara o ensinou foi regular a guitarra. Ele voltou na próxima semana, deu mais 5 dólares, e o mesmo rapaz ensinou-lhe a escala C. Depois dessa primeira dificuldade, ele ficou muito tempo sem tocar. No entanto, um dia ele ouviu Sex Pistols e pensou que poderia expressar seus sentimentos e idéias políticas também através de uma guitarra, e então aprendeu a tocar de verdade".

O cara já comprovou toda sua versatilidade empunhando uma guitarra, agora a brincadeira dele foi outra. Tom Morello resolveu virar The Nightwatchman, um trovador solitário no melhor estilo Bob Dylan, que tem no violão, na gaita e nas idéias, a fonte para fazer sua arte.

One Man Revolution é um misto de melodias calmas, canções furiosas e refrões marcantes. The Garden Of Gethsemane, House Gone Up In Flames, Maximum Firepower, Until The End e a tal de Battle Hymns, simplesmente...não existem. Mais uma vez este cidadão, não deixou a dever para ninguém...como se isso fosse alguma novidade.

Quem quiser ainda conhecer a Axis Of Justice, ONG que o Morello formou com o Serj Takian do System of a Down e que objetiva unir músicos, fãs e outras instituições para lutar pela justiça social, este é o endereço: http://www.axisofjustice.org/.

Grande persona esse tal de Tom Morello.
Valeu!

Músicas:
1. California's Dark
2. One Man Revolution
3. Let Freedom Ring
4. The Road I Must Travel
5. The Garden Of Gethsemane
6. House Gone Up In Flames
7. Flesh Shapes The Day
8. Battle Hymns
9. Maximum Firepower
10. Union Song
11. No One Left
12. The Dark Clouds Above
13. Until The End

Abrace essa pérola: The Nightwatchman – One Man Revolution (2007)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

The Roots feat. Erykah Badu - You Got me

Tô começando a ouvir mais o The Roots agora, e constatando o que não pode ser negado, que os caras não são brincadeira no som. Essa música vem do albúm Things Fall Apart, de 1999, e tem a participação da cantora Erykah Badu.

Como se não bastasse a música ser de fuder, os caras ainda me fazem um clipe sacana desse.

Vale a pena conferir!

The Roots feat Erykah Badu - You Got Me

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Ave Sangria - Ave Sangria (1974)

Reza a lenda que o nome Ave Sangria surgiu da sugestão de uma cigana meio louca encontrada no interior da Paraíba pela banda, que na época se chamava Tamarineira Village. O vocalista Marco Polo explica: "Ela gostou de nossa música e fez um poema improvisado, referindo-se a nós como aves sangrias. Achamos legal. O sangria, pelo lado forte, sangüíneo, violento do Nordeste. O ave, pelo lado poético, símbolo da liberdade do nosso trabalho".

Os integrantes do Ave Sangria chegaram em 1974 ao estúdio de gravação Hawai, na Avenida Brasil, Rio de Janeiro, empunhando peixeiras, como uma forma de antecipar as piadas que viriam diante do fato de todos serem nordestinos, algo infelizmente comum na época e que ainda se pode ver hoje em dia. As gravaçoes foram cheias de problemas, o som saiu mais acústico e a banda esperava algo mais rockn'roll, o chamado "amaciado". Como se não bastasse a arte da capa sofreu um remendo, maneira que a gravadora encontrou para não pagar os direitos autorais ao ilustrador Laílson de Hollanda Cavalcanti.

Apesar dos contratempos, o disco consegue trazer um som original que mistura a psicodelia com as raízes da música nordestina. Um fundo musical para as viagens poetizadas contidas nas letras das belas canções que ilustram o trabalho.

Em 1975 o Ave Sangria se despediu com o show Perfumes & Baratchos mas deixaram sua marca viva na música brasileira e principalmente nordestina. Marco Polo (vocais), Ivson Wanderley (guitarra solo e violão), Paulo Raphael (guitarra base, sintetizador, violão, vocal), Almir de Oliveira (baixo), Israel Semente (bateria) e Juliano (percussão), o Ave Sangria, os Rolling Stones do Nordeste, apesar do falecimento precoce...brincaram de fazer música.

Músicas:
01. Dois Navegantes
02. Lá Fora
03. Três Margaridas
04. O Pirata
05. Momento na Praça
06. Cidade Grande
07. Seu Waldir
08. Hei! Man
09. Por Que?
10. Corpo em Chamas
11. Geórgia, a Carniceira
12. Sob o Sol de Satã

domingo, 30 de dezembro de 2007

Curtis Mayfield - Freddie's Dead

A lenda do soul, Curtis Mayfield, cantando o clássico Freddie's Dead, uma das grandes canções que integram a trilha sonora genial do filme Superfly, de 1973. Curtam o som do Mestre...

sábado, 29 de dezembro de 2007

Meat Puppets - Meat Puppets II (1983)

Lembram os dois caras desconhecidos que fizeram uma participação no Unplugged MTV do Nirvana? Pois é, eles também tinham uma banda, mais especificamente esta que venho apresentar hoje. Cris e Curt Kirkwood fundaram o Meat Puppets no início da década de 80 em Phoenix, Arizona. Após um primeiro trabalho barulhento e sem uma identidade assumida, o grupo mudou radicalmente no segundo disco, quando misturaram country music e punk com uma doses de psicodelia e no fim o que saiu foi um resultado brilhante intitulado de Meat Puppets II.

Split Myself In Two abre com maestria e energia o disco, que na sequência ainda se perde por belas melodias como Lost e Plateau, para então chegar à espetacular Aurora Borealis, um instrumental simples, mas daqueles capazes de grudar na mente. Outro ponto alto fica para Lake Of Fire, onde a voz desafinada de Curt Kirkwood e a distorção de sua guitarra, de uma maneira desleixada parecem trilhar de mãos dadas os mesmos caminhos.

Os bônus tracks (algo sempre utilizado pela banda) do cd mantêm viva a aura da música do Meat Puppets mesmo ao fim das grandes doze primeiras canções. O disco continua com uma série de músicas instrumentais, inclusive outras versões para músicas como Lost e New Gods, passa pelo cover de What To Do dos Rolling Stones e finaliza com a única que poderia colocar um fim na linda obra dos Puppets, Aurora Borealis.

Feliz 2008 para todos e até o ano que vem!
Valeu!

Músicas:
01. Split Myself In Two
02. Magic Toy Missing
03. Lost
04. Plateau
05. Aurora Borealis
06. We're Here
07. Climbing
08. New Gods
09. Oh, Me
10. Lake Of Fire
11. I'm a Mindless Idiot
12. The Whistling Song
Bônus:
13. Teenager(s)
14. I'm Not Here
15. New Gods
16. Lost
17. What To Do
18. 100% Of Nothing
19. Aurora Borealis

Abrace essa pérola: Meat Puppets - Meat Puppets II

sábado, 22 de dezembro de 2007

Adoniran Barbosa

Filho de imigrantes italianos, João Rubinato sempre esteve na graça de todos, homem de amizade fácil e contador de histórias nato, passou a utilizar o nome artístico de Adoniran Barbosa, pois achava que seu nome de cartório não era próprio para sambista. Por meio de seus sambas, construía com maestria histórias que retratavam o cotidiano das ruas de uma São Paulo que ainda crescia.

Infelizmente Adoniran foi mais um entre tantos artistas com um talento sem precedentes que acabou não recebendo o reconhecimento merecido. A voz rouca e arrastada iluminava os botecos da capital paulista com canções que até os cariocas reverenciavam como único verdadeiro samba de São Paulo. Muitas de suas canções se eternizaram na voz de outros grandes cantores, músicas como Tiro ao Álvaro, Iracema, Trem das Onze, entre outras.

As músicas que eu tenho do Mestre dividi em dois cds para disponibilizar aqui. Para todos os efeitos aí estão...afinal como o próprio Adoniran dizia: “Nóis viemo aqui pra beber ou pra navegá...”

Valeu!

Músicas:
01. Abrigo de Vagabundo
02. Tiro ao Álvaro
03. Bom Dia Tristeza
04. As Mariposas
05. O Casamento de Moacir
06. Saudosa Maloca
07. Iracema
08. Trem das Onze
09. Prova de Carinho
10. Acendo o Candeeiro
11. Apaga o Fogo Mané
12. Véspera de Natal
13. Deus Te Abençoe
14. Viaduto Santa Efigênia
15. No Morro da Casa Verde
16. Vide Verso Meu Endereço
17. Torresmo à Milanesa

Abrace essa pérola: Adoniran Barbosa – Cd 1

01. Fica Mais um Pouco Amor
02. Triste Margarida (Samba do Metrô)
03. Despejo Na Favela
04. Pafunça
05. Samba do Arnesto
06. Conselho de Mulher
07. Joga a Chave
08. Tocar Na Banda
09. Malvina
10. Não Quero Entrar
11. Samba Italiano
12. Mulher, Patrão e Cachaça
13. Agüenta a Mão João
14. Vila da Esperança
15. No Morro do Piolho
16. Já Fui Uma Brasa

Abrace essa pérola: Adoniran Barbosa – Cd 2